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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

"E Não Seria Já Tempo De?..."


...encerrar de vez essa imensa abominação que é Guantánamo e acertar de vez as contas com a Civilização?...

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

"Ras le Bol!"


[Manifestações em Paris, imagem yahoo]

domingo, 4 de julho de 2010

"O Palhaço"


"O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada. Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.

[...]

O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político.

[...]

Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar.

[E, no entanto...]

A escolha é simples.

Ou nós, ou o palhaço...

[POIS, ACRESCENTO EU...]


[Mário Crespo num artigo recente de jornal.
Imagem extraída com a devida vénia de fotolibra-dot-com]

terça-feira, 29 de junho de 2010

"Presidential Elections in Portugal: ..."

Hmmm... My superpowers sort of detect a fishy smell in the air...

segunda-feira, 15 de março de 2010

"Nicht wieder mehr!"


Porque eu abomino a tortura nas suas múltiplas formas---mesmo nas mais "democráticas" e "civilizadas" [ou especialmente nessas!]---tomei a liberdade de apropriar-me desta sugestiva imagem que a infatigável Márcia Cristina Hungerbühler divulgou no seu 'mural', no «Facebook» e de reproduzi-la aqui com o propósito de contribuir na medida das minhas possibilidades para evitar que certas... "surdezes", "cegueiras" e também "mudezes" que "noutros tempos" ainda não tão distantes quanto isso ajudaram [passiva mas efectivamente!] a eliminar fisicamente milhões de seres humanos como nós não tenham hoje, naquelas mais sofisticadas versões "democráticas" e "civilizadas" condições para voltarem a fazer a sua abjecta e desprezível reaparição sobre a Terra...

quinta-feira, 11 de março de 2010

"NÃO TRAIO!"

Envia-me a Márcia Cristina Hungenbühler um poema que eu desconhecia de José Gomes Ferreira mas que me permito republicar aqui com particular emoção [e intenção!] numa altura em que a Grécia [a pátria da democracia ocidental, não o esqueçamos!] nos dá novo exemplo de insubmissão cívica e lucidez política ao vir para a rua questionar o tipo de "solução" [mais uma vez!] encontrada pelo capitalismo internacional através dos seus Fundos Monetários, "Europas" e quejandos para a "solução" de problemas criados precisamente pela sua inqualificável gestão da coisa coisa pública nos vários países onde os temos deixado operar à vontade, delapidando levianamente riquezas e esperanças, malbaratando, de forma criminosamente irresponsável e globalmente suicidária, qualquer perspectiva de futuro minimamente consistente e justo para todos nós.
Ensinam-nos os gregos que é preciso vir para a rua mas vir para a rua a sério, lutar por uma nova ordem cívica, económica e política, sem "Europas" de cartão feitas em segredo---uma ordem em que as pessoas contem mais do que as contas bancárias de meia-dúzia de corruptos travestidos de empresários e políticos e a segurança dos cidadãos não seja regularmente jogada aos dados nos conselhos de administração das multinacionais ou na caixa forte de bancos sem lei e sem escrúpulos.

Não Traio

(boca cerrada de raiva)

Não traio.
Porque insistes?
Não traio.
Desde criança que meu Pai me ensinou
não haver tempestade
na terra ou nos céus
que não traga
a praga
de um falso herói
salvador da Cidade.

Ou a esperança de um semideus
com um raio
na Mão
que tudo destrói
para pintar depois o sol e o Chão
de outra realidade.

Mas nunca encontrarás traidores entre os que sempre como eu sonhamos combustões

de novas flores
com pétalas de asas de liberdade
que só nascem e crescem regadas pelos gritos e lágrimas
das multidões.

Povo, continua!

Não pares a tua tempestade.


José Gomes Ferreira

sexta-feira, 5 de março de 2010

"Estômagos, não é?..."


No dia seguinte àquele em que a martirizada classe média [não confundir com "nédia", a classe "nédia" mora dois ou três andares mais acima, em casa do senhor Pinto de Sousa, "pê-ésse" para os amigos...] portuguesa veio para a rua, tentar arranjar um espacinho qualquer para respirar, na pessoa ou pessoas de uma função pública social, económica e profissionalmente sempre a jeito para levar a "porrada" que, vinda de cima, de há um tempo para cá, nunca tem faltado à classe média em Portugal, o "Público", excepcionalmente [vá lá! Do mal o menos...] dirigido por António Barreto inclui uma entrevista com Mário Soares [é verdade! Sabiam que parece que há uma sequela do seu "Portugal Amordaçado" escrito por Rui Mateus e intitulada... "Portugal AMERDAÇADO"? Eu nunca li mas parece que há ] e faz-se, "par dessus le marché", acompanhar, sem qualquer aumento de preço ou encargos, de uma brochura profusamente ilustrada dedicada à queda do muro de Berlim.

Antigamente, nas famigeradas "Actualidades Francesas", dizia-se, invariavelmente com o ar mais sério deste mundo [ou do "outro"...] "Assim vai o mundo".

Pois é... assim vai o mundo.

..................................................................................


António Barreto?...

Talvez---mas gosto mais de carapaus fritos com salada e pataniscas com arroz de feijão.

Digiro melhor e o risco de regorgitar não é tão grande: a gente tem sempre de pensar na saúde, [coisa que, dizem alguns clínicos mais... conhecedores, começa na barriguinha e, para alguns, até acaba nela, também, mas enfim...]

Afinal de contas, se não formos nós a pensar em nós, quem há-de ser, não é?...

Bruuuuxo!


[Imagem "gentilmente cedida" por arte_politica-dot-unesp-dot-com]

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

"«Presidencialismo Coisa-et-al»---Reflexões Pessoais Sobre Democracia a Partir de um Artigo de Vital Moreira no «Público»"


Um artigo de Vital Moreira no "Público" de 09.02.10 ["Presidencialismo superlativo"] vem mais uma vez à colação discorrer sobre o recente ulterior 'fechamento' ou 'afunilamento [anti] democrático' do actual regime político angolano.

É curioso observar como, sobre a questão deste [cada vez mais óbvio e escandaloso, aliás] 'fechamento' político, muitos dos que contra ele se insurgiram, em estádios anteriores [comparativamente menos gravosos, aliás] quando a orientação do MPLA seguia, mais ou menos de perto as pisadas de Moscovo parecem, entretanto, ter mudado radicalmente de posicionamento, fechando, hoje---tácita [quando não expressamente...]---na prática, os olhos ao mesmo em nome de interesses económico-financeiros muito fortes, marcadamente... petrolíferos e/ou diamantíferos.
Enfim, não é isso [o repugnante cinismo e a escandalosa hipocrisia do grande capital multinacional---"I soldi non puzzano", como diz um velho adágio italiano...] que aqui me ocupa, hoje, hoje mas sim alogo que se prende directamente com a crítica do autor do escrito do "Público" ao conjunto de, chamemos-lhes: 'reformas estruturais' introduzidas pelo regime angolano na sua própria estrutura institucional.

Introduzidas nele, sublinhe-se, em nome da tão decantada [e por Moreira mais uma vez trazida à colação] "estabilidade política".
Ora, a "estabilidade política" tem, pelos vistos, "as costas largas".

Serve para o regime do MPLA "filtrar" ["filtrar" em seu próprio benefício, entenda-se...] os grandes negócios transacionais dos minérios com os diamantes e o petróleo à cabeça e serve, "cá dentro" [onde elas são ciclicamente "pedidas" ao eleitorado] via maiorias absolutas, para introduzir internamente as tais "reformas impopulares" [mas---alegadamente---"necessárias" que uns quantos não se cansam de clamar não poderem ser tomadas sem as referidas "maiorias".

Pessoalmente até concedo [sem grande---sem nenhuma, sem nenhuma, de facto!---dificuldade, aliás] que certas dessas medidas, destinadas apenas a possibilitar ulteriormente um sistema económico-político des/estruturalmente desigual e intrinsecamente assimétrico que gera continuamente crises e que, em situações de inevitável 'crise' própria, penaliza invariavelmente os mesmos sectores e classes da população; pessoalmente até concedo sem dificuldade, dizia, que as medidas em causa não possam, efectivamente, ser tomadas sem a suspensão... "estratégica" regular de qualquer tipo de obstáculo institucional [leia-se: sem a remoção... "cirúrgica" da oposição em sede paralamentar] de tal modo são, em geral, gravosas para a maioria da população.

A questão não é, porém, de facto, essa: a questão, muito claramente é: se as tais "reformas" angolanas [essas como as que são 'democraticamente' reclamadas para supostamente operarem o saneamento do regime em Portugal] têm em comum o argumento da "estabilidade" e a redução, volto a referir, "estratégica" e, ao mesmo tempo, "cirúrgica", do poder efectivo de qualquer contraditório democrático---sem a intevenção determinante das oposições [o que vale por dizer: sem a muito "conveniente" eliminação ["empochement"] da 'constante democrática' essencial da "persuasão" substituindo a imposição, típica e tópica essa dos regimes não-democráticos]; se, dizia, entre o "caso" angholano e o português existe essa semelhança, a seu modo, fulcral mas num caso, o angolano, o expediente é "mau" enquanto que, no outro, o "nosso" passamos a ter [supostamente] um "bem", onde se situa, então, demonstravelmente a fronteira entre o 'bem' e o 'mal' em matéria de "músculo" decisional político?
Eu vou mesmo mais longe e pergunto: há realmente tal fronteira?
É verdade que, no caso angolano, o presidente da república é eleito em simultâneo com o parlamento e dispõe de dispensa institucional expressa, estatutária, de responsabilidasde parlamentar e que, no caso português, o poder legilsatiovo e o executivo se acham formalmente divididos, separados e entregues a órgãos de soberania distintos.

Não é menos verdade, todavia [e aí é que reside, aliás, em meu entender, o cerne da questão] aquilo que, num caso e noutro, se pretende ["democraticamente" ou "demoformalmente", num desses casos: o português] e "muscular" até um aliás expressamente admitido limite o mecanismo decisional, retirando-o ainda uma vez o repito: de forma "estratégica" à asclção estruturalmente democratizante do contraditório que obriga centralmente o poder a fazer vencimento pela força da razão [ou da lógica] e não, ao invés na razão [ou lógica] da mera força [dos números].

A minha resposta é, pois: por muitas voltas que lhe dêem os seus 'advogados' e propugnadores em geral, a verdade é que tal fronteira ente o "bom" e o mau "músculo decisional", configurando este "músculo" o processo [mais ou menos "democraticamente embrulhado", "wrapped", "packaged"] de contornar a necessidade democraticamente fundamental [vital, mesmo] de "convencer para vencer", pura e simplesmente não existe!

Não é uma questão de "quantidade" ou "grau": é uma questão de essência!
Ou seja: a democracia tem um "específico" que é, volto a dizer, a colocação daquela 'constante nuclear' "persuasividade" no centro de todo o mecanismo decisional.

Se assim não fosse, qual seria o papel do parlamento?

Um papel, em última instância, muito mais inorganicamente formal do que real e muito mais im/puramente "moral" do que determinantemente político, como entendo que deve acontecer nos regimes efectiva e genuinamente democráticos.

A essência da democracia [seja lá o que for que, no concreto, por tal cada um entenda] se a democracia tem uma essência e/ou um 'específico' e não passa de um mero instrumento de, como costumo dizer, "colagem" ou "ancoragem" completamente espúria e artificial da História a um modelo de exploração económica---um expediente para conservar a História das sociedades artificialmente imóvel no Tempo e refém daquele [como, de resto, em meu entender, sucede, de facto, entre nós] reside aí.

Mas esse não é o papel ideal da democracia: o papel ideal da democracia não é o de "explicar" por que razão a História deve imobilizar-se em torno de um modelo económico-financeiro---o papel ideal da democracia passa por integrar no próprio tecido vivo desta a liberdade para mudar a História quando os sujeitos desta entenderem que assim deve acontecer.

Vista como um "mero revestimento politiforme instrumental" do modelo económico, a democracia trai o seu papel social e politicamente dinâmico que é, na essência, o de responder perante as sociedades e não perante a economia destas, como agora sucede.

Por isso eu falo frequentemente de "sociedade inorgânica e inversional" [e/ou de "sociedade funcional"] quando me refiro àquela em que hoje vivemos.

Porque ela é, na realidade, "uma economia com uma espécie de envoltório funcionalmente 'político' em seu redor" e não, como deveria, legitimamente acontecer, uma sociedade orgânica [porque] "com uma economia no seu interior".

Uma democracia não é, pois, um sistema cujo 'conteúdo em política' responda perante ["despache directamente com", como se diz em bom... "burocratês"] uma economia à qual serve mas um outro que responde naturalmente sempre, em última mas verdadeira instância, perante o conjunto da comunidade, tendo na essência sempre em vista as legítimas aspirações individuais e colectivas desta e não aquelas que a economia enquanto tal dita.

Uma coisa---uma "figura teórica" e até, num certo sentido, "ideológica"---que sempre me escandalizou [e indignou] nos nossos sistemas políticos democapitalistas ocidentais é que envolve uma "felicidade económica" [uma "economia feliz"] susceptível de ser concebida não só independentemente como, sobretudo, determinmantemente em relação à felicidade da própria comunidade huimana como tal.

A ideia de que seja [como, aliás, está hoje-por-hoje a acontecer à nossa volta] necessário esperar pacientemente que o modelo ou paradigma económico se sinta "feliz" para podermos então nós mesmos aspirar a sê-lo também um pouco em consequência parece-me algo de monstruosa---de incivilizada e anti-cientificamente---mente des-humano na justa [ou melhor: in-justa!] medida em que assenta no princípio cientificamente aberrante de que um paradigma de civilização pode assentar em última análise na sujeição primária das leis físicas às leis económicas---o que é obviamente uma aberração conceptual e epistemológica.

A democracia tem de fazer a transposição ou translação epistemologicamente adequada das leis da realidade para as da Política: a democracia só pode, no limite, ser uma teoria da realidade e não um modo de impor teorias à realidade.

É desse modo absurdamente disfuncional [bizarro, sem dúvida, numa sociedade dita "do conhecimento"!] assente na ideia completamente disparatada de uma "independência" absoluta entre a Política e a própria Ciência; é, dizia, desse modo irresponsavelmente inorgânico e descuidasdo, irresponsável, de fundar e de "fundamentar" modelos civilizacionais e especificamente de "desenvolvimento" que aquela realidade se desconstrói e se destrói, em áreas que vão do ecológico ao social e deste ao político e ao cultu(r)al.

A ideia que como sociedade possuímos da democracia assemelha-se, diria eu, para terminar perigosamente a uma certa... cozinha muito caracteristicamente pós-moderna insuportavelmente pedante dita "de fusão".

De uma hipócrita, leviana, disfuncional, disfuncionante, suicidária e estruturalmente reaccionária "fusão" entre a Democracia e o seu contrário...


[Imagem extraída com a devida vénia de artcom.art.files]